EU DOU NA RUA

Paulista, advogada/USP, escritora, salvei 3716 livros da fogueira da editora PLANETA e agora dou de graça nas ruas de São Paulo.

 

Já dei pessoalmente 3540 dos 3716 livros que seriam QUEIMADOS pela editora para liberar espaço, em sua operação fatal de "redução/destruição de estoque".

 

 

Tenho dado tanto ultimamente que até ganhei um título: a GENI LITERÁRIA. Você se lembra da Geni da música? Aquela que dá pra todo mundo.

  

Perguntam-me sobre a reação das pessoas nas ruas, durante minhas distribuições gratuitas de livros em São Paulo.

 

Há quem ache arriscado que eu fique lá parada na calçada, dando assim pra qualquer um.

 

Pois eu digo que sinto imenso prazer em dar na rua. Dar livros!

 

Na rua já dei para estudantes e professores, lojistas e camelôs.

 

Dei para o pipoqueiro, o roqueiro, o intelectual.

 

Dei para Talita, a atriz e louca comportada, que fingiu acreditar nas minhas mentiras. Dei para a blogueira Lilian, escritora e leitora voraz. 

  

Dei para moças de aparelhos nos dentes, dei para a prostituta e o travesti, dei para o casal de atores Bruna e Ricelli no CINESESC.

 

Dei para o famoso diretor de teatro e para o rapaz fantasiado de Garibaldo; dei para porteiros e seguranças, manobristas, balconistas, ativistas, altruístas, vigaristas...

 

Dei para garçons e jornalistas, o Marcus Vinicius Gomes escreveu sobre mim; dei para o grupo animado a caminho da rodoviária, ficaram de ler o livro durante a viagem.

 

 

Dei para o ex-ministro, dei em mãos. Político poderoso, dono do mundo.

 

Dei para o esfarrapado, que pode ter vendido o livro ou o trocado por coisa mais útil.

 

Dei para a socialite e ela, muito elegante, guardou os exemplares na sua bolsa de grife.

 

Dei para o orador, dei para o ventríloco, dei para quem não tinha nada a dizer.

 

Dei para poetas, atletas, estetas. Gente bonita e gente feia (apenas dou, sem olhar a quem).

 

 

Dei para o rapaz que encontrou o livro num banco na rua e pegou; afinal, achado não é roubado

 

Dei para o leitor que me conhecia desde as primeiras publicações na revista VIP, dei para gente que nunca tinha ouvido falar de mim.

 

Dei para engravatados, tatuados, advogados, desdentados.

 

Dei na porta do jornal FOLHA SP para o músico Alaor, um artista, que simpatia! Dei para mais artistas: Louis e Reynaldo

 

Dei para o publicitário Ton Figueiredo caminhando apressado na avenida Paulista; primeiro ele resistiu, depois aceitou (e gostou). 

 

Dei para a linda atriz de cabeça raspada, presente de uma mentirosa de muito cabelo.

 

 

 Dei para o fotógrafo Paulo Eduardo Passos, que me clicou para o Projeto 100 STRANGERS: 100 ROSTOS, 100 HISTÓRIAS, na praça Benedito Calixto.

  

Dei MILHARES de livros.

  

Dei UMA entrevista: para Fabio Navarro, do Gangrena Diário.

 

Dei para jovens e velhos, só não dei para menores de idade, pois o meu público é adulto.

 

(Também não dei para o mendigo da avenida Paulista, mas apenas porque ele recusou. Fedorento, um caco, o cara passa por mim, pára, olha-me de cima a baixo, e rosna: "Terrorista!". Juro, o mendigo da Paulista me chamou de TERRORISTA. Apropriei-me do título, mais um que ganho nessa vida fácil de dar na rua.)

 

 Passada a surpresa de ser abordado por uma mulher dando de graça e desarmada, sempre foi bom para todos.

 

É por essas e outras que pretendo continuar dando nas ruas, dando livros!

 

Vou distribuir pessoalmente cada um dos 3716 exemplares que salvei da fogueira da editora PLANETA.

 

Minhas histórias, ainda vivas e circulando, inspirando paixões, traições, vinganças.

 

 

Na rua, os livros vão das minhas mãos para as mãos dos leitores.

 

Darei os livros para cada leitor que eu tiver a sorte de encontrar nas filas, calçadas, praças e ruas de São Paulo.